Arquitetos

por Paulo Antonio Pereira

telhado a teu lado
teu mundo teu fado
carinho pertinho
nervoso tremor

telhado alvejado
passeio das chuvas
anseio no seio
de gente abrigar

ladeiras de Ouro Preto

telhado cremoso
crestosa fuligem
as ondas das casas
as ondas dum mar

cidade silente
chapéus de andarilho
postados, ansiosos,
à luz do luar

telhado, teu lado
teu fundo, teu mundo
do só, do sozinho
do beijo-abraçar

telhado do velho
sereno mistério
que cai lá do céu
ardente, vistoso
retinho, sem medo
protege o silêncio
dos anos ao léu

ah! telha caída
ah! telha partida
desvão, vão e só

por que não nascemos
já dois, pandos, duplos
sem medo das chuvas
sem medo da luz ?

porque não vivemos
aos dois, lado a lado
telhado dobrado
qual ave a partir ?

se formos serenos
dois tetos, dois gestos
abertos inteiros
ao sol, ao luar
os olhos das gentes
os pássaros quentes
as chuvas, os ventos
irão nos beijar.

ah! telha caída
ah! telha partida
desvão, vão e só…

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