Da noite, da janela e do vento

por Paulo Antônio Pereira 

estas lâmpadas tristes nesta noite enormejanelaaa
espalhando gotas de luz na cidade calada
fazem-me pensar em tuas lágrimas
nas ruas por onde andamos ao sol do meio dia.

a tristeza, essa irmã gêmea do vento
ao agitar minha cortina desbotada
faz parte da respiração de tudo.

eu te vejo no negror da montanha
no vento frio, no silêncio ritual da espera.
tudo fala de ti
como se tudo tivesse sido feito exatamente para falar de ti.

talvez
porque estas lâmpadas tristes
nesta noite enorme
lembrem-me de que eu também caminhava contigo.

onde encontrar teus olhos entre tantas lágrimas
como ouvir-te entre tanto silêncio?
parece que me afoguei,
tudo ficou lá em cima, à tona d’água,
e a própria noite está para o lado de lá das estrelas.

mas quando a calma se infiltra,
quando me aprisiona na ilha vaziíssima do meu quarto
quando me obriga a desejar o sono,
ah! tenho pena de ver que te deixei sozinha
que dormi sem sonhar contigo
e que as lâmpadas já não são tuas lágrimas,
porque meus olhos se fecharam dentro do meu nada.

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