De como se espera a ressurreição

por Paulo Antônio Pereira

galhos-secos 2
as flores que plantei pra ti sobre minha janela
ficaram tão murchas, coitadinhas!
bastou que passasse uma semana em São Paulo
outra semana pensando
e elas se foram contorcendo como velhinhas engelhadas.
agora, são um punhado de raminhos agitados e aflitos
cravados numa lata de leite Glória, num silêncio para sempre.
daqui nunca brotarão flores! parecem dizer estes lábios de terra rachada.

mas não vou jogar fora minha primeira sementeira de flores.
elas ficam ali, não sei por quê, mas vão ficar ali:
quem pode dizer com certeza que uma coisa está morta?
se não sabemos o que é a vida!

puxa, não sei falar mais nada,
olhando para esta janela aberta e estes galhinhos tristonhos
que arranham um céu tão azul lá fora!
só posso dizer que é preciso esperar – esperar mesmo –
a ressurreição dos mortos.

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