Desejo

por Paulo Antônio Pereira

a calma paz de um sorriso transparente
a presença tão simples, o trabalho:
o poço, o arado, a terra, o alfanje e a colheita.
o sol, a chuva, os olhos, o trovão nervoso
o gosto de terra e o cheiro de chão quente.
a mulher que vem à porta chamar para a refeição
o queijo, o leite, a fumaça que acaricia o vento.
o silêncio, a vaca mugindo lá fora
a mulher jovem que corta uma posta de carneiro assado.
o doce cansaço de quem fez um dia todo seu,
apalpando a terra como se acaricia a mãe.

quando o sol se põe e eu chego à porta de minha cabana,
quando vejo a terra desvirginada por meus gestos,
quando sinto que amanhã tudo vai brotar de novo,
ah, que desejo imenso de ser Deus!

Vincent Van Gogh
Vincent Van Gogh
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