Poema quebrado a vida

por Paulo Antônio Pereira 

eu re-recomecei canções antigas
fiz abrolhos de meus rios
fiz sirene dos risos
fiz angústia estrelada e maldita
fiz lágrimas malencomendas
versos partidos na pedra
passos e passos e passos.

Beijei flores úmidas
e nem por isso o perfume delas ficou em mim.

Intacto ao tato, impacto, estático
abrindo o caminho parado e sem fonte
janelas sem paisagens, baú sem recordações, carteiras sem dinheiro.

o sangue tem o mesmo gosto em minhas veias
e a voz, abafada pela fumaça da Souza Cruz
esfrega-se na língua seca, para dizer esperas.

ó doce flor, ó dia do pagamento!
ó ônibus atrasado, ó mulher interior inatingível!

carteira-vazia

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