Textos sobre EISENSTEIN


Resumo de Paulo Antônio Pereira

EISENSTEIN, Sergei. Memórias Imorais, uma autobiografia. São Paulo: Cia. das Letras,1987. 375p. (Resumo)
Do Prefácio de Herbert Marshall (inglês, aluno de Sergei M. Eisenstein em Moscou):

“Durante toda sua vida, Eisenstein se manteve solitário. Seu vizinho mais próximo era um amigo da infância passada em Riga, Maxim Chtrausch, ator, que morava no apartamento ao lado com a mulher, Judith Slizer. Os companheiros mais íntimos eram seu câmera, Eduard Tissé, e sua assistente e mulher, Pera Attacheva. Ele, porém, não se mostrou íntimo Sergei_Eisenstein_portrait1nem mesmo com Tissé, e Pera não passava de esposa nominal. Acima de tudo, Pera era seu baluarte, sua defensora. Sentia por ele profunda paixão. Ao chegar à conclusão que era impossível realizar esse amor, ela nunca mais teve outro homem em sua vida.” (p. 8).

“A intenção de Eisenstein em Que Viva México! era superar Intolerância de Griffith. (…) Quando Eisenstein e Guicha Alexandrov, seu mais íntimo companheiro de trabalho, regressaram do México caídos em desgraça, este último rompeu todos os contatos com o primeiro. Ao optar pela segurança e fazer unicamente comédias, que se tornaram os preferidos de Stalin, Alexandrov conseguiu conquistar suas boas graças. Mas, conforme notou Pera Attacheva, embora Alexandrov dispusesse de acesso e influência, recusou-se a ajudar seu antigo colega e amigo. Após a morte de Stalin, Alexandrov foi condenado ao ostracismo pela indústria cinematográfica soviética (…).
Eisenstein desagradara Stalin ao prorrogar sua licença, enquanto tentava terminar o filme mexicano. Recebeu ordens de regressar a Moscou, mas desobedeceu. Stalin enviou um telegrama a Upton Sinclair (que financiara o filme, chamando Eisenstein de ‘desertor’). Em conseqüência, a partir do momento em que voltou, em 1931, não teve permissão de fazer filmes de sua escolha durante sete anos, mas foi-lhe concedido ensinar.” (p. 12).

Do Texto de Sergei M. Eisenstein
Da Apresentação

“Guardo os livros nas estantes e imagino quem os retirará, após a minha morte.” (p. 37).
“A primeira impressão como espectador de cinema: em Paris, em 1908, no Boulevard des Italiens. O famoso cocheiro de Georges Méliès, aquele gênio, segurando as rédeas de um cavalo esquelético atrelado numa carruagem.” (p. 38).

Dos demais temas

“Já era mais do que tempo de o menino ver-se como adulto. Mas o menino de Riga ainda tem doze anos de idade.” (p.42).
“Durante toda a infância jamais deparei com a pobreza, a privação ou os horrores da luta pela sobrevivência.” (p. 45).

“Representações teatrais em casa. Lembro-me de uma encenação de ‘O Criado’. Era uma das peças que levávamos a cena em casa e, pelo visto, a primeira peça a que assisti.” (p. 46).

“Vejo uma árvore de Natal resplandecente. (…) Correntes para afastar ladrões. Os ladrões não são apreciados nos lares burgueses e essa visão é inculcada nas crianças desde a mais tenra idade.” (p. 47).

“Em 1906, aos oito anos de idade, fui mandado a Paris, pois as coisas se mostravam inquietantes demais para nós, em nossa casa de campo, após a revolução de 1905.” (p. 50).

“A escola representou para mim um lugar vazio, de muito pouco significado. (…) Eu era um menino incrivelmente exemplar, tremendamente aplicado nos estudos e nem um pouco democrático na escolha de meus conhecidos. (…).
Eu provinha do grupo dos lavrocratas russos colonizadores, por quem a população letã nativa e os descendentes de seus primeiros conquistadores, os alemães, sentiam idênticos antagonismo. Portanto, desde os bancos escolares, não consegui fazer amigos verdadeiros.” (p.53).

“Desde o berço gostei muito de palhaços pintados de vermelho e sempre me senti um pouco constrangido com isso. Papai também apreciava o circo, mas, acima de tudo, se interessava pela exibição de números de equitação de alta categoria e pelo grupo de treinadores de cavalos de William Truzzi. Eu escondia de propósito minha fraqueza por palhaços e fingia estar loucamente interessado em cavalos baios!
Em 1922 gratifiquei-me plenamente, ao realizar minha primeira encenação independente (O homem sábio) em todos os tons usados pelos palhaços vermelhos e brancos.” (p.55).

“Quando ainda era muito jovem apaixonei-me pelas foto-ilustrações do início deste século. Papai tinha pilhas de álbuns de Paris e muitos datavam da Exposição Internacional de Paris, em 1900.” (p. 56).

“Ninguém tem nada a ver com o fato de meus pais se divorciarem em 1909. Era assunto bastante corriqueiro, naquela época, da mesma forma como, algum tempo depois, tornou-se bastante popular planejar um suicídio. O divórcio, porém, foi muito importante para mim. Ele envenenou a atmosfera da família, o culto dos princípios familiares, a alegria de ver a família reunida em torno da lareira, minhas idéias e meus sentimentos.
Recorrendo a um jargão histórico-literário, direi que desde minha mais recuada infância o tema ‘família’ desapareceu de minha constituição mental.” (p.59).

“Mamãe proclamava que meu pai era… um ladrão. Papai dizia em altos brados que minha mãe era… uma decaída. (…) E pai se bateu em duelo com alguém.” (p. 60).

“Houve uma época em que me levavam para passear na cidade durante o dia inteiro. Mamãe, soluçando, despedia-se de mim e foi: vieram os carregadores e levaram embora o mobiliário que fazia parte do dote dela.” (p. 60).

“Não fumo. Papai jamais fumou. Sempre o tomei como modelo.” (p. 60).

“Não havia a menor duvida de que mamãe era aquilo que os americanos chamam de ‘dada demais ao sexo’. Papai, por sua vez, era ‘dado de menos’.
De qualquer modo, nesse fato se encontra provavelmente a razão de seu divórcio.” (p. 62).

Eisenstein diz que a lembrança das gigantes donzelas de ferro fundido que eram vistas de sua casa em Riga o inspiraram para criar a estátua (desmontada) do Czar em ‘Outubro’.” (p. 64/65) “Ele interpreta também como uma espécie de liberação não só do Czar, mas da autoridade paterna.”.

“Papai era um tirano doméstico, mas, embora os pais tirânicos fossem típicos do século XIX, o meu sobreviveu e chegou ao século XX.” (p. 65).

“Espanta-me que, com minha predisposição por esquemas, eu tenha me desviado de toda aquela trajetória preestabelecida, semelhante a uma verdadeira linha de montagem.
As sementes do protesto social não foram transplantadas em mim pelos infortúnios da injustiça social, da privação material, nada tiveram a ver com a luta árdua pela existência, mas, de modo direto ou indireto, tiveram tudo a ver com o símbolo máximo da tirania social, isto é, a tirania do pai de família, a sobrevivência da tirania do chefe do clã, na sociedade primitiva.” (p. 66).sergei_eisenstein_photo_1

“Em meus filmes a crueldade é inextricavelmente interligada com o tema da injustiça social e com a rebelião que a ela se opõe.” (p. 73).

“Durante o ultimo verão que precede o término do curso secundário, não moro com papai no litoral de Riga, mas com mamãe, em Staraia Russa. (…) É julho de 1914 e a guerra acaba de ser declarada.” (p. 75).

“Na primavera do ano seguinte (1915) passei pela experiência de minha primeira evacuação. (…) Este fato coincidiu com minha transferência para São Petersburgo.” (p. 75).

“Deixem-me começar por dizer que jamais aprendi a desenhar.” (p. 80).

“Sempre amarei Disney e seus heróis, de Mickey Mouse a Baleia Willy.” (p. 84).

“Bardeche e Brossilech são de opinião que a marca característica de meu estilo criativo é uma expressão especialmente vigorosa de sensualidade, combinada com o abstracionismo mais abstrato. É um comentário muito lisonjeiro, que se aplica perfeitamente a mim.” (História do Cinema de 1935). (p. 87)

“Estávamos em 1914. Lembro-me perfeitamente, pois foi das janelas de uma aula de dança que vi minha primeira procissão patriótica a luz de tochas, com gritos, berros e retratos do czar.” (p. 89).

(Alexandrov se apresentava no teatro como equilibrista de arame) (p. 91)

“Inicialmente eu desenhava com lápis, após o que sublinhava tudo com tinta. Aos contornos imperfeitos faltava o dinamismo ou a expressividade de um fluxo espontâneo de pensamento e entendimento.” (p. 95).

“Na gazeta de São Petersburgo foi publicada uma caricatura sobre o assunto, assinada por “Sir Gay”. (SERGEI!) (p.99).

“Passei mais de uma hora pondo em ordem as anotações sobre os gravadores do século XVIII e fui para a cama. A distância, num ponto longínquo da cidade, o barulho dos tiroteios estava acima do normal. (…)
Ao deitar-me, recordei com pedantismo a data em que as anotações tinham sido postas em ordem: 25 de outubro de 1917. Na noite do dia seguinte essa data fazia parte da história.” (Foi a revolução bolchevique, datada ainda pelo calendário juliano, mais tarde atualizada para sete de novembro, pelo calendário gregoriano – adotado no resto do mundo, menos na Rússia czarista!) (p. 99).

“Durante a guerra civil, fui enviado inesperadamente para participar como técnico de edificações militares na cidade de Kholm. (…) Enquanto acampávamos nos arredores de Velikie Luki, nosso destacamento encenou algumas produções amadoras e interpretei com sucesso o papel de criado silencioso. (…) (Foi uma de minhas primeiras tentativas no campo da direção, no teatro amador). (…).
Até a guerra civil estudei sem interrupção, pois pretendia vir a ser oficial de engenheiros militares.” (p. 100).

“Não é por nada que afirmo que a experiência militar também exerceu seu papel e deixou marcas profundas. Ela foi fator determinante em minha paixão por um dos ramos mais sutis de nossa arte. O que deixa alguém fascinado na rapidíssima ação de estabelecer uma ponte de barcos?” (p. 101).

“É o coletivismo do trabalho, quase uma dança marcada coletivamente, que une o movimento de dezenas de pessoas numa única sinfonia. (…) A primeira escola a me ensinar a arte de mise en scène foi a Escola Preparatória para Oficiais na rua Furchtadstskaia e, naquela escola, a matéria denominada Construção de Pontes. (…).
Assim é que a primeira escolarização a que me submeti não me conduziu aos palcos ou a muitos estúdios cinematográficos, onde mais tarde planejaria trabalhar… mas a tarefa de fortificação da região de Holm, durante a guerra civil.” (p. 101-102).serguei ok

“Adormeci profundamente após aquela refeição abundante e insólita. Era a primeira vez que comia numa grande tigela comum, na casa de camponeses.” (p.104).

“Minha principal preocupação é sempre: quais livros serão meus companheiros de viagem.” (p.107).

“Já durante a guerra civil sempre me vejo como um livro, não importa para onde viaje com meu destacamento, encarregado de construções militares. (…) Entre os caixotes, pás e picaretas, vejo-me debruçado sobre um precioso livro.
(A experiência com pontes levou Eisenstein a filmar pontes em Outubro. Elas passaram a simbolizar a separação do povo do centro do poder. O cavalo morto na ponte veio de Méliès).

“Por mais curioso que possa parecer, meu interesse pelo princípio de contraponto, enquanto combinações de ações separadas, ilimitadas, independentes, encaixadas numa rígida estrutura de tempo, foi despertado inicialmente por certos problemas estruturais que tive de resolver ao construir pontes.” (p. 113).

“A dinamitação de algumas velhas trincheiras alemãs, abandonadas durante a absurda ofensiva de Kerenski em julho de 1917 foi por mim orientada, e tendo por companhia Henrik Josen.” (p. 116)

“Assim morreram em Dvinsk, Mukden, nas imediações de Kars e Erzerum, nossos soldados russos. (…)

Após conceber o prólogo de ‘Alexandre Nevski’ como um panorama de campos juncados com os ossos daqueles que sucumbiram à batalha contra os tártaros pela conquista do solo russo, não posso deixar de me lembrar do campo nos arredores de Svinsk.” (p. 120)

“Senti-me atraído por ossos e esqueletos desde a infância. Era uma atração que chegava a ser uma espécie de doença. Qualquer uma de nossas ações sempre é determinada por todo um conjunto de motivos, mas entre esses motivos sempre existe um – em geral o mais desordenado, menos prático, ilógico, muitas vezes ridículo e, com freqüência, secreto e irracional, mas que decide tudo.” (p. 121)

“Minha paixão pelo ensino é muito curiosa. Dediquei muitos anos ao trabalho no GIK. É uma compensação parcial pelos anos que se seguiram ao trauma mexicano, quando não conseguia fazer filmes. Meu período mais intenso de ensino vai de 1932 a 1935.
No contato vivo com meus alunos (…) meu lema sempre foi e, presumivelmente, sempre será: ‘Diga tudo. Não esconda nada. Não faça segredo de nada.’ (…) Não seria esse lema, esta posição, (…) uma aguda rejeição a papai? A ele, que escondia ‘segredos’ de mim.” (p. 122)

“Depois da frase habitual: ‘Ninguém pode ser ensinado, apenas pode-se ensinar’, costumo dizer a meus alunos. (…) Não desejo seguidores de meu estilo.” (p.123)

“Além do pai físico sempre encontramos nas estradas e atalhos um pai espiritual. (…) Para mim resultou natural dedicar adoração a meu segundo pai. Devo dizer, é claro, que jamais amei, idolatrei, venerei alguém tanto quanto meu professor.” (V. E. Meyerhold) (p. 123/124)

“Acabo de rever O ‘Encouraçado Potemkin’. Sase, não envelheceu nem um pouco em cinco anos: ainda é o mesmo!” (Chaplin) (p. 132)

“Em mim existe em alto grau a paixão e a ferocidade do jovem tigre que, criado com o leite do teatro, experimenta de repente o sangue da liberdade cinematográfica.” (p. 133)

Fonte: espacoacademico.wordpress.com
Fonte: espacoacademico.wordpress.com

“Nina Ferdinandovna Agadjanova – baixinha, de olhos azuis, tímida e incrivelmente despretensiosa – estendeu-me sua mão, que tanto me ajudou, naquele momento crítico de minha vida criativa. Tendo recebido a incumbência de escrever um roteiro para um filme que comemorava os eventos de 1905, ela garantiu minha participação no projeto.
(…) Nooneh tinha a excepcional capacidade de reunir em torno de seu pequeno samovar um grande número de egos feridos e vidas maltratadas pelo destino. (…)
O que de mais importante aconteceu conosco na casa de Nooneh foi que cada um de nos renovou a confiança em si mesmo, ao se dar conta de que havia necessidade de todo mundo para realizar o trabalho da Revolução. Além do mais, cada um de nós era necessário, em seu modo de ser próprio, especial, único, desajeitado, individual.” (p. 133/134)

“Para ela (Nina) os acontecimentos da Revolução eram assuntos domésticos, o trabalho de todos os dias, mas ao mesmo tempo, o mais alto ideal, o alvo de toda uma vida dedicada até o fim ao bem estar da classe operária.” (p. 135)

(Durante a primeira projeção de ‘Potemkin’ no Teatro Bolshoi, Eisenstein andava de um lado para o outro nos corredores. Ouvi berros com trovoadas por três vezes: 1a.) na cena da bandeira vermelha erguida no Potemkin após a revolta – pintada a mão!; 2a.) no tiro sobre os portões; 3o.) Quando navio passa pela esquadra: “irmãos!”. “Sergei M. Eisenstein se assusta: o último rolo não esta colado com cola, apenas com saliva!). Então…
“Mergulhado na mais completa confusão, corro através dos corredores semicirculares, desço as escadas em forma de saca-rolhas, possuído por um único desejo, o de me enterrar num porão, na terra, no esquecimento. A ruptura se dará a qualquer momento! Pedaços do filme voarão para fora do projetor. O final do filme será massacrado, assassinado. Mas de repente… inacreditável… um milagre! O cuspe agüenta! O filme corre até o fiar.” (p. 137)

(A estátua do czar em Outubro foi feita em papier maché. Edmond Meisel compôs em ordem invertida, para o remonte, a mesma música escrita para o desmonte) (p. 143)

(Sergei M. Eisenstein se desentendeu com Meisel porque ele um dia fez com que se projetasse o filme mais lentamente, por causa da velocidade da música. Perdeu-se o efeito dos leões, que ficaram ridículos.) (p.143)Sergei EISENSTEIN 1

(Em Amsterdã, um padre escreveu artigo caloroso sobre humanismo do cinema soviético e foi crucificado.) (p. 145)

(Em Paris, Sergei M. Eisenstein falaria na Sorbonne e projetaria O velho e o novo. A polícia proibiu. Ele só fez a palestra e respondeu a perguntas. (p. 145 a 149) Sergei M. Eisenstein deve deixar Paris, mas, na última hora, recebe prorrogação de sete dias. Alguns acham que a expulsão dele tem o dedo do Vaticano) (p. 160)

(Sergei M. eisenstein acha (ironicamente) que é possível: afinal ele visitou catedrais – paixão pela arquitetura e pelos livros – e livrarias católicas. Comprou – interesse pelos místicos e por Lourdes – obras de S. J. da Cruz, Santa Tereza e os exercícios de Santo Inácio.) (p.160)
Foi interpretado como se estivesse recolhendo material para campanha anti-religiosa. (p.162)

(Aventura parisiense terminou e Sergei M. Eisenstein assinou contrato com Hollywood – Paramount. Possível tema: o julgamento de Zola.) (p. 166)

(Ainda em Paris, o representante da Nestlé queria contratar Sergei M. Eisenstein para fazer um comercial de leite condensado! Queria também que ele filmes sobre diamantes!)

(Grierson foi intermediário para ele fazer um filme louvando o colonialismo inglês na África!)

(Em Hollywood sugeriram com primeiro tema “O martírio dos missionários jesuítas nas mãos dos peles vermelhas na América do Norte”. Outros temas: Jud Suss e O caminho da volta; Grand Hotel, A vida de Zola, Dom Quixote (com Chaliapin, em Paris).

“Em Mérida, no Yucatán, no auge da filmagem de “Que Viva México!” chega uma proposta de meu antigo produtor-executivo na Paramount, para filmar ‘Kim’, de Kipling, na Índia.” (p. 186 e 187)

Que Viva México!
Que Viva México!

(Castelo de La Sarraz, na Suíça, 1929: Congresso de Cineastas Independentes (de produtores).
Sergei M. Eisenstein assiste a filmes de Cavalcanti que chama de “insignificâncias abstratas”. Vê e aplaude “Cão Andaluz” (Buñuel) e Joana D’Arc (Dreyer) e vários outros diretores.) (p. 197 – 198)

“Arte apolítica é coisa que não existe.” (p. 208) (O mesmo que aconteceu com pintores, escritores e músicos, aconteceu com cineastas de vanguarda: contradições políticas e sociais.)

“Tissé é e Alexandrov participando do Congresso (…) como resistir a registrar num filme um congresso de cineastas? Sobretudo com um tema muito presente: a luta dos ‘independentes’ contra os ‘estúdios’. (o filme desapareceu na alfândega) (p. 201 – 202)

(Béla Balász – 1884 – 1948 – escreveu “Teoria do cinema”) (p.202)

“Horace Liverright acabará sendo meu produtor-executivo, pois a Paramount oferece-me ‘Uma tragédia americana'”. (p. 206)

“O contrato foi assinado em Paris e eu cruzava o oceano com meu chefe, o Sr. Lasky, Vice-presidente da Paramount.” (p. 211)

(Lasky sugeriu que Sergei M. Eisenstein tirasse partido de seus cabelos desgrenhados…) (p. 211)

(Nos Estados Unidos movimentos fascistas protestaram contra a presença de Sergei M. Eisenstein na Califórnia, junto com Tiré e Alexandrov. A Paramount reagiu.) (p. 212- 213)

“Quis dedicar-me aos feridos quando tinha 16 anos em 1914. Eu também levava cigarros para eles. (…) Somente em 1944 eu, mais uma vez, surpreendo-me indo a um hospital para entreter os feridos. (…) Dessa vez, falo-lhes sobre as maravilhas da cinematografia.” (p. 215 – 216)

“Em 1929 Jammings faz o possível para convencer-me a rodar um filme sobre o General Potemkin. “(…) (Ele foi o favorito de Catarina, a Grande).Sergei-Eisenstein-e1342749567181
– Potemkin tinha um só olho. Se o filme for feito por você, arrancarei um de meus olhos.” (p. 221)

(Meyerhold combatia Stanislavsky, mas lhe declarava amor. Não aceitava o naturismo dele, pois defendia a estilização em teatro.) (p. 227)

“Recebi um convite para ir a seu encontro em Viena e fazer uma visita a Sigmund Freud. Não consegui ir e nunca mais nos vimos.” (p. 230)

“O primeiro filme que vi foi também em Paris, em 1906. Na idade de oito anos eu via o cinema pela primeira vez! É também pela primeira vez a criação de Georges Méliès. (…) Até o dia de hoje lembro-me das curiosas circunvoluções de um cavalo esquelético atrelado a um tílburi.” (p.236)

(Sergei M. Eisenstein também redigiu roteiro baseado em L’or, de Louise Blaise Cendras.) (p. 236)

” Os livros apegam-se a mim. (…) Eu os amo há tantos anos.” (p. 265)

(Sergei M. Eisenstein foi rodar um filme com Paul Robeson sobre um rei haitiano!) (p. 265)

(Sergei M. Eisenstein ficou no México por 14 meses.) (p. 268) (dez 1930 a fev. 1932)

“Em 1920 morei num vagão de carga, num desvio de estrada de ferro (em Smolensk).” (p. 272)

(A indústria cinematográfica de Moscou foi evacuada para Alena Ata, no Cazaquistão, durante os primeiros anos de X Guerra Mundial. Ali foi filmado ‘Ivan, o Terrível’.) (p. 273)

(Quando viaja, Sergei M. Eisenstein leva livros policiais…) (p. 274)

(Sergei M. Eisenstein confessa-se atraído pelo ritual ortodoxo, especialmente pelos parentescos religiosos.) (p. 276)

“Minha teoria de um cinema intelectual se desenvolveu a partir de minha experiência em ‘Outubro’, seguindo a trajetória queria da imagem dos leões em ‘O Encouraçado Potemkin’ ao tratamento de certos conceitos nesse filme (deuses, Kerenski na escadaria, etc.).” (p. 293)Sergei_Eisenstein_02

(Bernard Shaw convidou Sergei M. Eisenstein para filmar O soldado de chocolate, em 1929). (p. 306)

(Gorki, protegido de Stalin, queria que Sergei M. Eisenstein escrevesse um roteiro para ele. Não foi atendido.) (p. 306)

“Meus primeiros passos no emprego da cor foram a muito conhecida bandeira vermelha, pintada a mão, em Encouraçado Potemkin, e a menos conhecida montagem de curtos fragmentos de filme, pintados de modo concentrado e variado, nas cenas em torno do separador de leite e do casamento do touro, no filme ‘linha geral'”. (p. 335)

(Seus primeiros projetos coloridos, não filmados: Puchkin e Giordano Bruno.) (1939-40)

(Sergei M. Eisenstein foi convidado para dirigir no teatro a “Valquíria”, no Bolshoi. Ópera foi retirada de cena quando a Alemanha atacou URSS a 21/11/1941). (p. 335)

(Em 1940, Sergei M. Eisenstein pensou em filmar Lawrence da Arábia.) (p. 336)

(Também em 40, Sergei M. Eisenstein recebeu bilhete do Comitê de Assuntos de Cinema para rodar o filme Batalha contra a peste, o que nunca aconteceu.) (p. 337)

“Pudovkin e Alexandrov assinaram juntamente comigo a declaração sobre o som no cinema.” (ver Film Forum) (p. 342)

Sobre a temática de seus filmes, Sergei M. Eisenstein diz:

“No contexto da temática revolucionária e socialista russa esse problema de unidade se configura como patriótico-nacional (Alexander Nevski), estatal (Ivan), coletivo (Encouraçado Potemkin com suas massas), econômico-socialista (O velho e o novo), comunista (Canal de Fergana).”

(Mas ele pensou também em rodar as tragédias do individualismo, quando nos EUA: Tragédia Americana, O ouro de Sutter, Majestade Negra) (p. 345)

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