Análise estrutural do filme “Desmundo”

Direção de Alain Fresnot – BRA (2003)
(Roteiro premiado pelo SUNDANCE)

SINOPSE: A trama se concentra na corajosa Oribela (Simone Spoladore), uma das várias órfãs enviadas por Portugal àsdesmundo novas terras por El Rey, a pedido do Pe. Manuel da Nóbrega, em 1570 – uma maneira de os colonos estabelecerem família e de a Igreja impedir que relações sexuais com índias e negras corrompam as linhagens portuguesas. Oribela, no entanto, se opõe. Quer apenas voltar para casa. Como castigo por sua insurgência, termina casada com o rude Francisco de Albuquerque (Osmar Prado). Em meio a uma rotina de abusos, incestos, brigas e tentativas de fuga, ela se desespera. Residem no comerciante Ximeno (Caco Ciocler), um  cristão-novo, as últimas esperanças de liberdade da garota. O romance original de Ana Miranda, no qual se inspira o filme, é escrito num pseudo-português arcaico.

Introdução: A chegada

  1. Chegada da caravela.
  2. Descem uma vaca.
  3. Mulher e seis moças descem de barco até a praia.
  4. Frei entrega grupo a jesuíta.
  5. Órfãs são instaladas.
  6. Meninas tomam banho…vestidas.
  7. Chega mulher do Governador para examiná-las.
  8. Velha pede a ela um marido devoto para Oribela, que veio de um convento. Mulher ri. Explica para as moças que “o casar é leve”.
  9. À noite, Oribela, desesperada, reza em latim.
  10. Velha passa saliva nos joelhos machucados de Oribela. Esta quer voltar para o convento, em Portugal.

Parte 1:  A apresentação das meninas

  1. Moças sentadas (PAN).
  2. Chega Governador.
  3. Oribela percebe Ximeno, o cristão-novo,judeu, que fala com índios.
  4. Há discussão sobre o que fazer com os índios.
  5. Governador chama pelas órfãs.
  6. Os pares são compostos.
  7. Oribela é chamada para receber presente de D.Afonso (Cacá Rosset).
  8. Ela cospe-lhe na cara.
  9. Mulher dá “bolos” nas mãos de Oribela, que não reclama. No fim sopra-as, para diminuir a dor.

Parte 2: O casamento coletivo

  1. Desfile, com trombone, viola e tambor.
  2. Jesuíta faz sermão, explicando o acontecimento, que visa preservar a família portuguesa.
  3. Cada moça dá a mão a seu noivo.
  4. Padre recomenda o casamento cristão, para evitar o pecado da miscigenação e do incesto.
  5. Coral de indiozinhos canta Agnus Dei em latim.

Parte 3: Oribela e o marido, Fº de Albuquerque (Osmar Prado)

  1. Os dois entram em casa. Ela pergunta o nome dele.still_desmundo1
  2. Ele tenta agarrá-la. Ela reage. Reza. Pede que tenha paciência. Fº promete que vai ter, e solta-a.

Parte 4: Partem para a casa de Fº no mato

  1. Viajam pela mata.
  2. Fº apresenta a mãe a Oribela.
  3. Oribela revista a casa e se encontra com uma índia (a portuguesa não entende o que índia fala).
  4. Entrevista-se com a mãe, que fala bem de Fº.
  5. Ele a faz montar num cavalo e lhe diz que a recebeu, mas ela foi considerada pelos outros como um restolho. Ela diz: “Eu não sou um restolho.”
  6. Fº, sentado na rede, tira as botas.
  7. Ele vai até Oribela, agarra-a e a bolina. Ela fica impávida, mas arranha o braço do homem. Fº desiste pela segunda vez.

Parte 5: O judeu, o ciúme e a fuga

  1. Chega Ximeno, o comerciante cristão-novo, com índios capturados. Fº o recebe bem.
  2. índia cata piolho num menino down.
  3. Judeu e Fº jogam gamão.
  4. Fº chama Oribela e diz para ela escolher um dos produtos que Ximeno vende. Ela escolhe uma tesourinha de unha, que está bem ao lado do judeu. Suas mãos quase se tocam.
  5. Judeu vai embora com sua tropa.
  6. Fº espanca Oribela, por ciúme. Depois, a possui. Ela não demonstra prazer algum.
  7. À noite, ela foge de casa.

Parte 6: Na praia

  1. Três homens encontram Oribela e tentam estuprá-la.
  2. De repente, chega Fº com dois índios e a salva, matando os três.

     43.  Fº amarra as mãos de Oribela e a obriga a seguir a pé seu cavalo de volta para casa.

Parte 7: Prisioneira

44.  Já em casa, Oribela fica acorrentada pelos pés.
45.  Através de um buraco na parede, ela vê o menino down.
46.  Sentada numa esteira, ela canta.
47.  Índia lhe faz curativo nos pés.
48.  À noite, ela percebe que uma tropa passa por perto da casa. E se desespera.

Parte 8: Fº a liberta

Francisco
Francisco
  1. Fº lhe dá a chave do cadeado da corrente, para ela soltar os pés.
  2. Manda que tire suas botas.
  3. Ela é obrigada a mostrar-lhe o sexo.
  4. Fº deita-se sobre ela, possuindo-a e a ameaçando de morte, caso tente nova fuga.

Parte 9: Vida doméstica

  1. Fº lhe dá uma arca e um espelho.
  2. Oribela, roupas limpas, sentada, espreme um grande escaravelho contra o chão, com uma varinha.

Parte 10: O padre e a velha passam pela casa de Fº

  1. Velha que trouxera Oribela de Portugal chega com jesuíta na casa de Fº
  2. Oribela se arruma. Descobre dinheiro de Fº  caído no chão e o esconde.
  3. Jesuíta quer meninos para a catequese.
  4. Sentam-se à mesa.
  5. Oribela vai falar com a velha: ela quer voltar para Portugal.

Parte 11: A briga

60 No dia seguinte, ao partir, jesuíta disputa índios com Fº. Brigam. Jesuíta vai continuar viagem com  sua gente. Mas antes ameaça Fº com a lei, porque ele escraviza os índios.
61  Mãe repreende Fº. Ele diz que, se for preciso, foge mais fundo para  sertão.
62  Mãe: “Tu te tornaste selvagem!”
63  Fº promete presentes a Oribela.
64  Fº a apalpa, e deita-se sobre ela. Ele se confessa muito rude. Ela acaricia os cabelos dele.
65. Oribela ajuda a mãe de Fº na cozinha. O menino down está presente. Ela sorri para ele.
66. Ao conversar com a velha, ela compreende que o menino é filho de Fº com sua própria mãe.

Parte 12: Oribela na aldeia

67    Oribela, vestida de homem, foge de casa montada numa mula.

Oribela e Ximeno
Oribela e Ximeno

68    Encontra-se com Ximeno.
69    Apresenta-se como Antônio, e diz que quer viajar. Oferece-lhe dinheiro. Ele não aceita, pois a reconhece logo.
70    Ela volta à casa de Ximeno, e pede abrigo ao judeu, até a nau chegar.

71    Fº chega ali naquele momento e quer falar com Ximeno.
72    Fº diz que está à procura do “ladrão” de seu jegue.
73    Logo que Fº vai embora, Ximeno esconde Oribela na torre de sua casa. Ordena que ela fique quieta. Que não mexa em nada.
74    De madrugada, Oribela espia através das ameias da torre a aldeia ainda adormecida.
75    Ximeno traz comida para Oribela.
76    Fº espera na aldeia.
77    Oribela conversa alegremente com Ximeno.

Parte 13: Fº e o jesuíta

78    O jesuíta repreende Fº mais uma vez. Mas este pede para falar com a Velha que trouxe Oribela de Portugal (D.Maria).
79    O jesuíta diz que a mulher está fazendo penitência, não pode atendê-lo. Fº diz que sua mulher fugiu de novo.

Parte 14: Ximeno e Oribela

80    Eles transam na torre da casa.
81    Ximeno pede a um amigo informações sobre uma viagem que pretende fazer.
82    Ele resolve fugir com Oribela para o sul, pois não pode escondê-la por mais tempo. Irão para uma cidade castelhana, no sul, que é mais segura.
83    Ela pergunta se ele a seguiria até o Reino. Ele diz que não, mas a abraça. Ele teme ser enforcado, se for a Portugal.

Parte 15: Fuga de madrugada

84    Os dois fogem à cavalo na direção da cidade dos castelhanos.
85    Galopam pela praia, já sol a pino. É quando chega Fº, que os ameaça com um mosquete. Mas diz que não quer matá-los. Apenas levar Oribela consigo. Ela manda que ele vá embora e a deixe em paz. Ximeno e Fº, depois de muitas ameaças. terminam por atirar um no outro.

Parte 16: Nasce filho de Oribela

86    Oribela grita de dor.  Está parindo.
87    Fº vai internar-se mais ainda no mato com todas as suas gentes e coisas.
88    Oribela é transportada numa rede. Índia lhe entrega o bebê. Partem.

FIM

ADAPTAÇÃO CINEMATOGRÁFICA

 Um estudo sobre o filme DESMUNDO, de Alain Fresnot, BRASIL, 2003.

1. Proposta: analisar não o filme, mas a adaptação de linguagem nele, ou seja, a passagem de uma narrativa de origem literária para o cinema; fazer um estudo de caso de adaptação da arte literária para a arte cinematográfica.

 2. Primeira consideração: no processo comunicacional literário predomina o espaço sobre o tempo. No cinema, dá-se o inverso. Por isso, quem determina o tempo de recepção, na literatura, é o receptor (leitor), enquanto que no cinema, quem determina este tempo é o emissor (diretor e sua equipe).

3. Segunda consideração: o escritor escreve para o indivíduo ler.  O cineasta filma para a multidão ver (e ouvir).

4. Terceira consideração: a literatura é abstrata, por ser baseada em conceitos. O cinema é concreto, por ser narrado através de imagens do movimento.

5. Assim sendo, o escritor pode inverter a ordem “histórica” da narrativa (a ordem da sucessão dos “fatos” como eles se “deram”), narrar em vários níveis diegéticos (como o fazem muitos romancistas) ou fazer subir à tona do texto este ou aquele elemento dramático ou personagem. O texto permite esta liberdade de construção, pois, uma vez respeitada a clareza gramatical, todos as figuras de estilos são compreensíveis, para um leitor mais acostumado ou atento. Além disso, o leitor pode volta e reler o texto quantas vezes quiser, para saboreá-lo mais ou para entendê-lo melhor.

 6. Isto já não ocorre com a adaptação cinematográfica. Para praticar uma arte que está a serviço de um público múltiplo, que a presencia simultaneamente, e é antes de mais nada, temporal, o cineasta (o caso de Desmundo não é exceção)  tem de selecionar suas imagens, para que elas sejam instantaneamente compreensíveis por este grande público. Se demorar demais, o filme perde o ritmo narrativo. Se for rápido demais, o espectador médio não acompanha, não entende, e desiste de acompanhar o filme. Por outro lado, ao escolher esta e aquela imagem, o cineasta define praticamente quase tudo o que deveria ser imaginado pelo espectador, diferente do escritor, que deixa ao leitor a tarefa da imaginação, seja do rosto dos personagens, seja do ambiente no qual ele se insere.

 

7. Assim, Alain Fresnot, diretor de Desmundo, não pode fazer na tela o que Ana Miranda faz em seu livro: descrever um processo íntimo do personagem, a partir do impacto que cada situação causa sobre ela, criando seu próprio contexto espácio-temporal, misturando, num só discurso, sonho, lenda e realidade. Fatos e interpretação subjetiva dos fatos.

8. Bem ao contrário: Fresnot decidiu escolher pontos visualizáveis do texto que lhe pareceram essenciais para dar unidade à construção de sua narrativa, para que ela seja coerente e accessível ao espectador. Ele centra seu assunto principal na chegada ao Brasil de jovens órfãs provenientes de Portugal – dentre elas a protagonista Oribela – para se casarem com colonos (de fato, degredados), a fim de que – como dizia o Padre Manuel da Nóbrega, inventor da idéia – “os homens desta terra vivam em serviço do Nosso Senhor”.


9. Resumo da narrativa fílmica: Após enfrentar uma viagem terrível que lhe mói a alma e os ossos, Oribela chega a um
Desmundo 04 país em que tudo lhe é estranho e novo. É obrigada contra a vontade – ela chega a cuspir na cara de um pretendente – a unir-se a Francisco de Albuquerque, dono de uma fazenda fora do povoado. Homem rude e duro, modelo oposto ao que dele esperava a mística e romântica Oribela, cuja atenção fora de início atraída por um mancebo bem apessoado, entre tanto povo decadente: o judeu Ximeno.

O esposo Francisco, na noite de núpcias, num primeiro momento lhe concede algum tempo “para aprender a amá-lo”, mas dias depois ele praticamente a estupra.

Oribela pensa em voltar a Portugal e foge da fazenda, num momento de descuido do marido. Mas na praia sofre tentativa de violação, por parte de três estranhos. No último momento, contudo, é salva por Francisco, que a procurava com insistência. Ele, depois de matar a tiros os bandidos, trata a mulher brutalmente, chegando a trazê-la amarrada para casa.

Acalmados os ânimos, Francisco recebe tempos depois a visita de Ximeno, comerciante de toda sorte de mercadoria, e do qual tem muito ciúme, o que o leva a espancar Oribela.

Um ataque dos índios à fazenda de Francisco dá oportunidade a Oribela de tentar nova fuga, agora vestida em roupas masculinas, cabelos tosados. E a moça se vai esconder justo na casa de Ximeno. Aos poucos surge entre eles carinho e amor. E Ximeno resolve levar Oribela para longe dali, fora do alcance de Francisco. Este, no entanto, consegue localizar os dois, em plena fuga. Um rápido duelo junto ao mar termina em tiros.

Oribela aparece novamente na fazenda de Francisco, onde mais tarde dá à luz um menino. Ela é carregada numa rede, criança ao colo, partindo em viagem com o marido e a sogra. FIM.

10. Dois rápidos enredos paralelos aparecem no filme: a história vivida pela figura da Velha, que acompanhou a viagem das meninas, antiga freira que fora expulsa do convento, porque tivera um filho. E a tensão violenta entre o caçador de bugres Francisco de Albuquerque e um padre jesuíta catequizador de índios (sem nome no filme).

11.  Assim, Fresnot opta por abandonar completamente a proposta que caracteriza o estilo literário de Ana Miranda: a narrativa subjetiva em português arrevesado da heroína, única perspectiva que nos é oferecida pelo livro.

           Lemos o texto como se estivéssemos diante de uma espécie de diário íntimo de Oribela.

      Fresnot, pelo contrário, narra o filme em terceira pessoa, raramente posicionando a câmara do ponto de vista da personagem principal, talvez para retratar melhor a “coisificação” a que ela é submetida.

12.  Além disso, todo o discurso de Oribela, no livro, é eivado de listas de coisas, personagens e procedimentos. Quer com isto a escritora mostrar como tudo era novidade para a órfã, tudo motivo de admiração e descoberta. Além disso, tal listagem caracteriza bem a feminilidade da narradora, acostumada a perceber pormenores aparentemente os mais insignificantes, com precisão e delineamento completo. Mais ainda: os próprios nomes das coisas caracterizam sua época e suas condições de produção.

         Oribela não está preocupada em contar uma história, mas apenas em fazer uma espécie de inventário de sua experiência íntima. Este intimismo feminino, contudo, o cineasta não acompanha nem registra em seu filme, preferindo insistir no desvalor com que a mulher é tratada.

13.  Fresnot deposita a compreensão de todo estupor, angústia e sofrimento de Oribela sobre o rosto da atriz e nos gestos agressivos de seu marido. As imagens do filme são realistas, o texto do livro vai além do real, para localizar-se bem dentro da intimidade da heroína.

        Assim, o texto é muito mais violento e soturno que o filme. Porque mais sugestivo. A força do filme está na história, espécie de triângulo amoroso em meio a um século XVI, em que a mulher mal passava de objeto masculino. A força do texto está no próprio testemunho secreto de Oribela, que tem plena consciência de que “mulher é um saco de fazer filhos”.

14. Assim, a montagem é seqüencial, cronológica, o que torna o filme perfeitamente compreensível para o público médio. Nenhuma inversão, nenhum momento de sonho ou surrealismo. O uso de planos é normal, sem exageros estilísticos, pois a narrativa é realista. Ou seja, entre a clareza diegética e a criação de um clima intimista e às vezes surreal (como ocorre no texto), Fresnot fica com a primeira opção. Porque é cineasta e entende do riscado, baseia seu filme na beleza e exotismo das imagens e no diálogo pseudoquinhentista que o texto de poucas falas e muita reflexão pessoal lhe oferece. Assim, a direção de arte é primorosa. Se não pretende uma reconstituição histórica fiel, já que as fontes de época nos são precárias, busca, no entanto, – e consegue – passar um clima de autenticidade, que convence o espectador não especializado em estudos históricos.

15. Uma última consideração. É verdade que a televisão brasileira nas últimas décadas do século XX permitiu às pessoas se verem em personagens que falam nossa língua e têm hábitos semelhante aos nossos, facilitando este processo de transferência e identificação também junto ao público do cinema. Ela se tornou verdadeiro sucesso mundial de comunicação com audiências múltiplas e heterogêneas. No entanto, seu desdobramento e influência sobre o cinema brasileiro vem pasteurizando a narrativa cinematográfica, em nome da popularidade.

16. Alguns dizem que isto é sinal da maioridade de nosso cinema. A arte da tela grande seria caríssima, e não poderia ficar à mercê da experiência pessoal de criadores que não tenham compromisso com bilheteria e lucro. Por outro lado, reduzir a arte ao sucesso comercial é o mesmo que reduzir bens culturais às suas perspectivas puramente econômicas, o que periga levar esta arte à auto-destruição. 

17. Resumo da ópera. Atualmente, é preferível existirem filmes brasileiros como Desmundo, apesar de sua proposta reducionista, em relação ao texto literário donde tem origem e onde se inspira. Porque ele se presta a transmitir a nós e ao mundo temas nossos, problemática e cenas brasileiras, mesmo que do século XVI. Mais que nunca é preciso repetir com Paulo Emílio Sales Gomes: “todo filme brasileiro é bom.”

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