Expressionismo alemão em pintura

(Resumo do livro “Tudo sobre Arte”, coordenação de Stephen Farthin)

O termo “expressionismo” foi usado pela primeira vez, da maneira como entendemos hoje, em 1912, por Herwath Walden, proprietário da Der Sturm (A tempestade), uma progressista publicação de arte alemã. Os artistas expressionistas, muitos dos quais trabalhavam na Alemanha, queriam criar uma arte que confrontasse o espectador com uma visão mais direta e pessoal de seu estado de espírito. Era uma forma de arte representativa que incluía certos elementos essenciais: distorção linear, reavaliação do conceito de beleza artística, simplificação radical de detalhes e uso de cores intensas.

Os expressionistas alcançaram um elevado senso de urgência, por meio do uso das cores não naturais e formas exageradas e alongadas. (…)

Opondo-se à rigidez e à repressão da sociedade industrial moderna, artistas como Heckel estavam determinados a questionar as noções estabelecidas sobre o papel mais amplo da arte. Se existia o mal no mundo, os expressionistas pensavam que ele devia ser retratado. (…) Eles queriam distinguir-se da sociedade urbana burguesa, da qual a maioria deles se originou. Alguns levaram uma vida comunitária em áreas rurais, onde desenvolveram uma fascinação por sociedades “primitivas”, tornando-se colecionadores e imitadores da arte folclórica alemã, pois queriam reacender a força vital da arte, que acreditavam ter sido suprimida. (…)

Eles também evocaram a arte da Renascença germânica, de Dürer e Grünewald. Seus estudos lhes revelaram o poder expressivo do preto e do branco, e eles trabalharam para revigorar a técnica medieval de imprimir, utilizando uma matriz de madeira.(…)

Café Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night, The
Café Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night, The

O trabalho de Vincent Van Gogh e Edvard Munch também influenciou os expressionistas. Em busca de algo mais profundo, um mundo que o filósofo Friederich Nietzsche descreveu como “abundante em beleza, estranheza, dúvida, horror e divindade”, estes pintores se afastaram da forma convencional e rejeitaram a imitação cuidadosa da natureza.

No início da década de 1900, E.L.Kirchner, um estudante de arquitetura de arte em Munique, visitou uma exposição de pintura alemã contemporânea. Profundamente decepcionado, considerou tudo como “borrões sem sangue e sem vida”. (…) Isso ajudou a convencê-lo a agir, e, de volta a Dresdem em 1905, formou um grupo de artistas com três colegas de faculdade que compartilhavam o seu amor pela pintura: Erich Hekel, Karl S.Rottluff e Fritz Bleyl.

Seguindo a sugestão de Ruttluff, autodenominaram seu movimento de A Ponte (Die Brükhe), ecoando a noção de Nietzsche de que a vida, para a humanidade, não era um fim em si mesma, mas uma ponte para um mundo melhor. (…)

Embora os primeiros trabalhos dos artistas do Die Brüke tenham-se valido da influência de Van Gogh e do pós-impressionismo em geral, nos anos de 1905 a1908 eles se moveram em direção a um estilo expressionista bem distinto e autêntico.

Adotando cores brilhantes e vivas, os artistas pintaram em empastelamento, com pinceladas rápidas e explosivas, para criar o efeito do trêmulo. (…)

No sul da Alemanha, um grupo diferente de pintores juntou-se ao redor de Kandinsky, um advogado russo que se tornou pintor, mudando para Munique em 1896. (…)

o-cavalo-azulA partir de 1911, Kandinsky e Marc colaboraram na criação de um almanaque de artes denominado Der Blaue Reiter (O Cavalo Azul). Eles audaciosamente colocaram reproduções de trabalhos de alguns dos mais importantes artistas contemporâneos europeus ao lado de pinturas feitas por crianças com debilidade mental.(…)

O expressionismo alemão alcançou seu apogeu com o Der Blaue Reiter e, embora o grupo tenha se dissolvido com o início da Primeira Guerra Mundial, a arte expressionista se espalhou pela Alemanha, após o fim do conflito. Quando os nazistas chegaram ao poder em 1933, eles reprimiram a arte expressionista, juntamente com outras vanguardas que consideravam “degeneradas”.  A partir dos meados da década de 30, o expressionismo influenciou muitos jovens americanos, com o êxodo de vários artistas europeus para os Estados Unidos.

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